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| RE online > cronicas |
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 | Manuel Carvalho nasceu em Elvas em 1956. Nos últimos 32 anos, tem colaborado em jornais e rádios, a maior parte de âmbito regional mas também alguns nacionais. Neste meio, a rádio é a sua paixão maior, onde destaca a área da reportagem. |
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| No centro do mundo |
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Já não conheço o meu País e este mundo, ou então a minha desactualização a respeito dos chamados critérios jornalísticos é já irrecuperável.
O meu choque com esta realidade deu-se na última quinta-feira, dia 25. À hora do almoço, exactamente às 13 horas, passo por um local público onde noto uma grande atenção dos presentes para a televisão. Acho que se está a passar alguma coisa, ao nível do País ou do mundo. É que estava no ar a notícia de abertura do espaço informativo da TVI. E o que estava a abrir o noticiário? E o que estava a justificar um directo do exterior?...
Nem mais nem menos do que o assalto, aí umas oito horas antes, à caixa Multibanco do Hospital de Santa Luzia, em Elvas! A cena é conhecida: duas viaturas, alegadamente quatro larápios neutralizam o segurança e vão-se à máquina Multibanco, acabando por levar consigo as notas que era o interessante neste crime. Felizmente, nada de violência e normalidade absoluta na unidade hospitalar e na cidade. Elvas em paz, afinal!
Cerca de um quarto de hora mais tarde, já em casa, o Jornal da Tarde da SIC repete a dose e só me faltou oportunidade para constatar que a RTP acabou por seguir o caminho dos outros dois canais generalistas.
Qual visita de Putin a Portugal! Qual golo da Cardozo que deu a vitória ao Benfica sobre o Celtic! Qual empate do FC do Porto em Marselha na Liga dos Campeões! Qual localização do futuro aeroporto internacional de Lisboa! Quais dúvidas sobre os traçados da alta velocidade em Portugal! Qual incêndio na Califórnia!
Nada disto! A nossa Elvas, no centro do País e talvez do mundo, a abrir a informação de um noticiário televisivo! Naquele dia, na redacção de Queluz, nada foi considerado mais importante do que quatro assaltantes a levar as notas de um Multibanco. Acabo como comecei e das duas, uma: ou já não conheço o meu País e este mundo, ou então a minha desactualização a respeito dos chamados critérios jornalísticos é já irrecuperável. Só uma consolação: a Rádio Elvas, cinco horas antes, estivera no centro do mundo!
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| [10:02] 29/10/2007 |
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| A seguir, é a desgraça |
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Depois de termos regressado à nossa realidade geográfica europeia, somos um pequeno país: pequeno em área, em número de habitantes, em posicionamento e, por reflexo, em peso internacional.
Pequenino, mas teso em certos aspectos sinto vontade de escrever. Em algumas áreas, conseguimos estar entre os melhores e, pontualmente, somos mesmo os melhores entre esses. Como já aqui afirmei, a nossa primeira linha é do melhor do mundo, mas daí para baixo, ou seja o contingente geral, é que é medíocre e mau.
Recordei-me disto, no final da semana passada. Quinta-feira, estive a jantar em Lisboa, no Parque das Nações, a 200 metros do Pavilhão Atlântico, e deve ter sido a refeição mais segura da minha vida. A presença dos chefes de Estado e do Governo dos 27 países da União Europeia obrigou a uma concentração enorme de forças policiais. Mais que isso, só me recordo do que vi, há 35 anos, em 1972, em Munique, no ataque terrorista à delegação israelita nos Jogos Olímpicos da capital da Baviera.
Agora, esta cimeira informal acabou muito bem para a União Europeia e muito bem para Portugal, que preside aos 27 neste segundo semestre de 2007. O entendimento, considerado muito complicado, foi possível o que constituiu uma grande proeza, em primeiro lugar da capacidade de diálogo da diplomacia portuguesa.
Portugal, país pequeno e mal colocado insisto, conseguiu aquilo que outros maiores e mais bem posicionados não obtiveram antes e talvez não o atingissem no nosso lugar. Grande triunfo nacional, devemos ficar satisfeitos com a dupla Durão-Sócrates, com Cavaco a olhar embevecido.
É evidente que seria melhor dizermos que Portugal conseguiu um dos maiores crescimentos económicos na Europa, ou que o desemprego atingiu os valores mais baixos da União Europeia. Mas, para isso, precisávamos de contar com todos; para isso, teríamos de ir ao contingente geral; e nós, Portugueses, só temos uma primeira linha muito boa; a seguir, é a desgraça.
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| [10:09] 22/10/2007 |
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| Para lá de ganhar |
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Os dois clubes de Elvas a praticar futebol estão a participar com equipas jovens em provas nacionais: o Elvenses no nacional de Juniores e o Elvas nos Iniciados.
Num caso como no outro, os esforços dos clubes com jogadores, técnicos e directores não têm sido acompanhados por grandes resultados; bem pelo contrário, os Iniciados só têm derrotas e os Juniores apenas ganharam um jogo, por sinal o primeiro, perdendo os restantes.
Propositadamente, falo de resultados para deixar claro que não os considero importantes; claro que ninguém anda a treinar durante a semana e a jogar aos sábados ou domingos para aquecer, sem se importar quantas vezes a bola entra na sua baliza ou na dos outros
Porém, no futebol juvenil, há coisas bem importantes, a merecer toda a atenção:
- em primeiro lugar, a ocupação de dezenas de jovens numa actividade saudável, com aproveitamento de equipamentos públicos construídos;
- logo a seguir, a possibilidade de alguns deles chegar ao futebol sénior.
A correcção, a educação e o desportivismo das equipas e do público são aspectos também a ter em conta, pois é necessário compreender que tudo aquilo são apenas jogos, não estando em risco mais do que um resultado, sendo o futuro, a vida e a saúde de todos aqueles jovens os aspectos a ter em conta com prioridade.
Voltando aos Juniores do Elvenses e aos Iniciados do Elvas, treinados por Jorge Almeida e Manuel Henriques, têm a minha admiração: em campeonatos com adversários a treinar três ou quatro vezes por semana, quando eles treinam só dias, e a fazer deslocações de dezenas de quilómetros, quando eles fazem às centenas, os resultados e as classificações têm de reflectir estas realidades distintas.
Mas, dentro do campo, aqueles que dão o máximo e aqueles que se comportam com desportivismo, esses é que são os meus putos-maravilha. Às vezes, muitas vezes, no desporto como na vida, ganhar não é tudo!
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| [15:27] 15/10/2007 |
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| Atrás, no pelotão |
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Um fim-de-semana alargado dá-nos sempre a possibilidade de descansar um pouco mais, é verdade, mas deixa-nos também por vezes mais distante do que se vai passando. Neste último aspecto, são as televisões, os jornais, as rádios e as revistas que trazem o mundo até nós. Para isso nos servem os órgãos de comunicação social.
Em Portugal, a nível nacional, as televisões ganham audiência às publicações escritas e, por isso mesmo, se ouve dizer que o que não passa nas televisões não existe.
Por mim, confesso, não sou um grande telespectador. Lá vou vendo um ou outro joguinho de futebol, e acima de tudo a informação. Ainda assim, faço a minha selecção. Não sou capaz de gastar muito tempo a ver a informação das desgraças, em que se transformaram muitos serviços de notícias que, ainda por cima, duram, duram, duram, como se de uma pilha alcalina de boa qualidade se tratasse.
Não sei se é o resto da Europa que está enganado, mas duvido que seja; os europeus têm noticiários de 20 a 30 minutos nas televisões e nós chegamos a dar-lhes 60, 70, 80 e 90 minutos, ainda por cima salpicados de intervenções em directo, sem pevide de interesse jornalístico.
Há 15 anos, o panorama televisivo, em Portugal, foi abalado com a chegada da SIC. Abalou, abanou, mas rapidamente entrou por um caminho em que a qualidade se mede por audiências, porque as audiências são as mães das receitas publicitárias. E se o País quer isto assim, quem é que tem moral para achar que deve ser diferente?
Nós, aqui na fronteira, muito antes das chegadas dos satélites e dos cabos, sempre fomos tendo a possibilidade de apreciar como se faz informação televisiva em Espanha. Não será um modelo perfeito, pois tal é capaz de não existir. Mas uma coisa me parece indiscutível: 15 anos depois da chegada dos privados à televisão, Portugal mantém-se afastado da Europa. Também neste aspecto, a nossa posição no pelotão europeu não é famosa.
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| [10:04] 08/10/2007 |
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| Marcar passo; mais? |
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Com a idade que tenho, recordo-me do São Mateus dos últimos 40 anos e há mais de 20 que me tenho mostrado preocupado com o futuro da feira. É evidente que, com o passar dos anos, a minha preocupação tem aumentado; e muito, porque passa o tempo e não vejo inovações.
Mais do que eu, poucas pessoas, nos últimos 20 anos, têm discordado publicamente tanto do rumo que a feira e a festa têm tomado; por escrito e por voz, tenho dito que o caminho não é este, com reacções nem sempre compreensivas da finalidade do que digo. Mas, sem querer ser teimoso, acho-me com razão há muito tempo; infelizmente, há tempo demais.
Para mim, a Feira de São Mateus não pode repetir a fórmula de há dez, ou 20, ou 30, ou 40 anos. É preciso perceber que os tempos, em quase meio século, mudaram muito. E ontem, aqui na Rádio Elvas, ao ouvir o juiz da Confraria afirmar que começa agora o trabalho de organizar o São Mateus de 2008, fiquei preocupado não seja o caso que tudo continuar na mesma
Nas últimas décadas, Portalegre, Estremoz, Montemor-o-Novo e Beja só para dar exemplos de cidades alentejanas dos três distritos começaram a construir infra-estruturas de exposições que estão à frente, muito à frente daquilo que Elvas continua a apresentar há uma data de décadas.
O São Mateus tem de dar um salto, um salto enorme em frente, com o investimento de muitos milhões de euros, para transformar a Piedade num parque de feiras moderno; e isto só pode ser feito recorrendo a fundos comunitários; e isto só pode ser feito se Confraria e Câmara forem capazes de enfrentar o grande desafio em conjunto.
Este é o momento ideal de definirmos posições; altura para sabermos se o São Mateus quer enfrentar o desafio da modernidade, ou se pretende ficar agarrado ao passado, reaccionário ao que se passa à volta e impossibilitado de competir com a vizinhança. Por mais que nos custe, não há volta a dar: ou damos corda aos sapatos e avançamos, ou não havemos de sair deste marcar passo em que nos encontramos há várias décadas.
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| [10:01] 01/10/2007 |
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| Fazer a lei |
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O futebol tem mudado muito nos últimos anos; não tanto ao nível da prática dentro das quatro linhas, nem tão pouco na metodologia de treino. As principais mudanças verificadas acontecem ao nível da organização, daquilo que é permitido pelas leis que vão sendo feitas, ou mesmo do que possibilita a ausência de leis que não chegam ao papel.
Aos 51 anos e já com muitos cabelos brancos, eu ainda sou do tempo das colecções de cromos. Saíam fotografias das equipas completas, calhavam fotos de jogadores, havia fotografias dos treinadores. Tudo aquilo batia certo, até porque os cromos, como as equipas, eram para toda a temporada.
A pouco e pouco, isto foi sendo alterado, a ponto de deixar de haver cromos; nem de selecções; porque julgamos que um futebolista é brasileiro e, de repente, vemo-lo com a camisola das quinas ao peito, atrapalhado para mexer a boca quando toca o hino nacional português
Ainda na temporada passada, em Portugal, Jesualdo Ferreira deixou o Boavista, antes de começar o campeonato, para se instalar no FC do Porto. Mais tarde, foi Rogério Gonçalves, a fazer uma bela carreira na Naval 1º de Maio, trocou a Figueira da Foz por Braga, para treinar o Sporting local.
Mas isto está a chegar às divisões mais baixas; os clubes da I Liga pescam na Liga de Honra; estes clubes vão à II-B; os da II-B atacam a III; e os pequeninos da III já começam a olhar para os treinadores dos Distritais
É assim a modos como os peixes: o pequenino é comido pelo pequeno; o médio come o pequeno; o grande engole o médio; e, no fim, vem o tubarão que acaba com o grande quando lhe apetece. É o poder do dinheiro à solta.
Tudo isto para falar, de passagem, no que sucedeu com "O Elvas, nos últimos dias, e com o seu ex-treinador. E dizer apenas isto: os espanhóis, também nesta matéria, vão à nossa frente e acabaram com o mal pela raiz: em Espanha, treinador que treine uma equipa numa temporada não pode ser treinador de outra equipa na mesma temporada. Fácil, simples, ao alcance do pensar de uma criança. Basta haver vontade de fazer a lei.
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| [16:35] 24/09/2007 |
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| Balança da Justiça |
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Depois de oito ou dez dias, em que apenas nos faltou ficar a saber quantas vezes a família McCann utilizava diariamente a casa de banho, eis que fomos salvos por uma atitude impensável do seleccionador nacional de futebol, Luiz Felipe Scolari.
Por mais volta que se tente dar a este assunto, não podemos deixar de lamentar, lamentar profundamente mesmo, a atitude do treinador brasileiro, um campeão do mundo pelo Brasil, um vice-campeão da Europa e quarto classificado no último Mundial por Portugal.
No futebol, como nos restantes quadrantes da vida pública, os cargos e títulos aumentam a responsabilidade, não atenuam as culpas. Por isso, por mim, modestamente, estou à espera de uns meses de suspensão ao seleccionador nacional português, por parte da UEFA. Não deve haver volta a dar à mão tradicionalmente pesada e exemplar do organismo europeu que tutela o futebol.
Porém, uma coisa é a justiça que possa ser aguardada para este caso, outra coisa é a tentativa que apagar ou disfarçar aquilo que Scolari tem feito em Portugal, nas últimas cinco épocas. O técnico brasileiro tem o melhor palmarés de todos quantos alguma vez foram contratados pela Federação Portuguesa de Futebol, ao que deve ser adicionada uma empatia mediática e comunicacional que não deve ser posta de lado.
Porém, o murro de Scolari faz recordar o acto de Zequinha, no Mundial de sub-19, quando o nosso jogador tirou um cartão vermelho da mão do árbitro da partida. O que fez o miúdo português, quando comparado com o seleccionador nacional, não passou de um acto malandreco, sem ponta de agressividade, pondo em causa a autoridade do árbitro. E Zequinha levou com 12 meses de suspensão de jogos internacionais.
Por esta medida, quando vale um murro na cara de um adversário, por parte de um treinador com idade próxima de 60 anos?... Se a balança da Justiça for a mesma, nada de agradável se pode esperar para Scolari.
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| [10:23] 17/09/2007 |
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| Estou distraído |
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Pela observação que vou fazendo da realidade desportiva portuguesa, ou ando muito distraído, ou andam a passar-se acontecimentos importantes.
No campeonato do mundo de atletismo, realizado na cidade japonesa de Osaka, Nelson Évora conseguiu uma fantástica medalha de ouro numa disciplina técnica: o triplo salto. Para valorizar a conquista do atleta do Benfica, acrescento: foi a primeira medalha de ouro conseguida no sector masculino, pelo nosso atletismo num campeonato do mundo, tal como foi a primeira vez que fomos medalhados numa disciplina técnica. Brilhante!
Na fase final do campeonato do mundo de râguebi, a decorrer em França, Portugal tem a sua primeira participação, verdadeiramente histórica: é a primeira vez que um conjunto amador, em todo o mundo, chega a este nível com tanto brilhantismo. Isto é fantástico!
Na fase final do campeonato europeu de basquetebol, a ter lugar em Espanha, Portugal ultrapassou a primeira barreira e situa-se entre as 12 melhores selecções da Europa, um registo que nunca acontecera nos últimos 50 anos da modalidade em Portugal. É outro feito enorme!
No campeonato mundial de triatlo feminino, em Hamburgo na Alemanha, Vanessa Fernandes conquistou o primeiro lugar. A triatleta do Benfica, aos 22 anos, é uma referência mundial desta modalidade e conquista vitórias atrás de vitórias, aparentando uma facilidade enorme, a ponto de quase nos habituarmos a ter uma campeã mundial entre nós. Uma conquista colossal!
Nelson Évora, selecção de râguebi, selecção de basquetebol e Vanessa Fernandes: o nosso quadrado mágico desportivo das últimas semanas. Pensava eu que era assim; mas não deve ser. Reconheço que tenho andado distraído, muito distraído mesmo: porque olho as primeiras páginas dos jornais desportivos portugueses e o que vejo? As habilidades de um craque, a fazer dois remates e três fintas num treino; outro craque lesionado num joelho. Ah, pois é!... Dragões, leões e águias é que são desporto. Râguebi, atletismo, basquetebol ou triatlo? O que é isso e que importância têm?...
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| [10:02] 10/09/2007 |
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| Todos a ganhar |
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Quando o Verão acaba, a juventude portuguesa em idade de entrar para as universidades enfrenta a primeira grande barreira da sua actividade escolar que mexe com o futuro profissional: o acesso ao ensino superior. Faltam-me dados para saber se é uma primeira, uma segunda ou uma terceira escolha, mas muitos jovens escolhem jornalismo ou comunicação social. E muitos estudam estas matérias, alguns acabam os cursos e conseguem trabalhar nesta área.
A área sou eu a dizê-lo, suspeito, porque me apaixonei por ela há mais de 35 anos é aliciante e sempre tem vivido de um misto de capacidades natas e dedicação, antes de se entrar na técnica da actividade. Mas há um aspecto que deve fugir da comunicação social, como diabo foge da cruz: são os lugares-comuns, expressões gastas e incapazes de acrescentar alguma coisa de inovador ao trabalho que se faz.
E a responsabilidade maior é das televisões: RTP, SIC e TVI têm meio-País, cinco milhões de pessoas, a olhar para os telejornais das 20 horas. E aquilo, por vezes, é uma tristeza: quando um conflito envolve duas partes que se enfrentam salta logo o "braço-de-ferro; quando uma polícia investiga com maior cuidado "está a passar tudo a pente fino; quando alguém fica um pouco mais pressionado, logo se garante "estar à beira de um ataque de nervos; não se diz que um tal acontecimento é no Centro Cultural de Belém, antes se noticia que "o CCB serve de palco ao acontecimento tal; as feiras e exposições não começam, antes "têm alguém que as abre ou inaugura oficialmente; e por aí fora!
Não há nada mais desinteressante na informação que o previsível, como se nós estivéssemos a ver um jogo de futebol em diferido, depois de conhecer os pormenores do que já aconteceu. Não há nada de mais criticável nas redacções do que a utilização destes lugares-comuns, que tornam os noticiários repetitivos, deixam quem ouve à beira de um ataque de nervos; por isso, as redacções deveriam servir de palco para as chefias travar autênticos braços-de-ferro com os mais novos e passar a pente fino, retocando estes textos divulgados. Todos ficávamos a ganhar!
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| [22:23] 27/08/2007 |
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| Bons passos |
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Milhões de portugueses, neste mês de Setembro vão ter a sua atenção concentrada na abertura do ano lectivo. Quando incluo milhões, nestas contas, estou a pensar em alunos e familiares mais directos, ou seja aqueles que são afectados, directa ou indirectamente, com o começo das aulas.
Do sábado passado, vêm dois acontecimentos que chamaram a minha atenção. Um deles, a apresentação nacional do Plano Tecnológico, em especial no que se refere ao objectivo "um aluno, um computador. As nossas salas de aula têm de mudar e, assim, há-de mudar também a capacidade atractiva dos professores e das matérias em relação aos alunos.
O modelo de uma sala de aula com um quadro, um professor, mesas e cadeiras e alunos com livros e cadernos, é um modelo esgotado: era assim há 30, há 50 ou há 70 anos. Hoje os tempos da informática e da electrónica tomou conta dos jovens e tem de haver tempo para esses meios chegarem às salas de aula de todos os graus de ensino. Um jovem que trabalha em casa com teclados de computadores, joga consolas ou escreve SMS a velocidades estonteantes não pode chegar às aulas e enfrentar livros, cadernos e apresentações discursivas de professores. Alguma coisa tem de mudar; alguma coisa está a mudar.
De Estremoz, no sábado, também chegaram boas notícias: foi inaugurado um modelo de sistema solar, à escala um para 414 milhões, no qual o Sol tem 3,3 metros de diâmetro e a Terra está a 200 ou 300 metros de distância e mais não é que um berlinde com três centímetros de diâmetro. Neste modelo, um passo de um adulto representa os 377 mil quilómetros de distância da Terra à Lua e Plutão está na Serra dOssa, em Évoramonte.
É uma boa ideia, que cruza ciência com turismo, de forma facilmente apreensível, pois os nove planetas estão distribuídos, cinco pela cidade estremocense e quatro em localidades rurais. É assim, que as crianças, sobretudo estas, hão-de ser chamadas para o ensino, para a ciência e a tecnologia. Bons passos, afinal, andam a ser dados, sempre que Portugal caminha para estas áreas do futuro, para estas áreas com futuro.
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| [22:20] 03/09/2007 |
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