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| RE online > cronicas |
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 | Nasceu em Elvas em 11/11/64, com 15 anos entrou para o mundo da comunicação social que sempre foi a sua paixão destes 25 anos. Tendo passado também pela imprensa, na rádio iniciou-se na antiga RDP Elvas e é um dos fundadores da actual Rádio Elvas. |
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| O tiro pela culatra |
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Angola é gerida por criminosos. A frase é de Bob Geldof, o antigo músico britânico que hoje é activista humanitário, e foi proferida na última terça-feira em Lisboa, durante uma conferência promovida pelo semanário "Expresso e pelo Banco Espírito Santo.
Perante uma plateia seleccionada, o mentor dos históricos concertos de solidariedade "Live Aid e "Live 8 não teve papas na língua nem preocupações diplomáticas, denunciando uma circunstância que muitos reconhecem mas, por razões diversas, não ousam trazer para a praça pública.
País de enormes potencialidades que, aliás, começam aos poucos a despontar -, Angola conquistou a paz em 2002 depois de uma guerra civil que se arrastou por quase três décadas. Hoje, apesar dessa acalmia social e do latente crescimento económico, estima-se que 70% dos seus 12 milhões e meio de habitantes vivam no limiar da pobreza, havendo mais de quatro milhões de deslocados.
Mas em Angola, país de contrastes, há também uma classe política dominante, liderada há largos anos pelo presidente José Eduardos dos Santos, familiares e correlegionários, possuidores de uma imensa riqueza. Exemplo disso mesmo é a filha mais velha do presidente, detentora de participações nas principais empresas do país e também em Portugal.
Rezam as crónicas que a capital angolana, Luanda, tem uma vida cosmopolita do mais intenso que se conhece em África. Prova disso é o facto de existirem naquele país diversas publicações que se dedicam exclusivamente á chamada "imprensa cor-de-rosa.
Voltamos ainda à passagem de Bob Geldof por Portugal.
Quem a esta hora deve estar arrependido de ver o seu nome associado à iniciativa são os responsáveis pelo Banco Espírito Santo, devido aos interesses que o BES mantém actualmente em Angola. É caso para dizer que o tiro lhes saiu pela culatra...
As figuras públicas que atinjem a projecção e visibilidade de Bob Geldof não são politicamente correctas porque sabem que, quanto menos o forem, mais provável será que consigam alcançar os seus intuitos e, desta forma, abanar consciências. E foi isso mesmo que aconteceu, já que o antigo vocalista dos "Boomtown Rats viu o embaixador de Angola sair da sala como forma de protesto, já sem falar nas inúmeras manchetes que as declarações fizeram.
O desconforto gerado pela intervenção de Bob Geldof na conferência desta semana em Lisboa, trouxe-me à memória o episódio ocorrido com o já falecido Beatle John Lennon, quando este foi cantar ao Royal Albert Hall de Londres, num espectáculo em que a família real britânica marcava presença.
De forma perfeitamente inesperada, dirigindo-se ao público presente na vetusta sala da capital inglesa, Lennon disse mais ou menos isto: "Se estão a gostar dêm um sinal. O público da geral bata palmas e os senhores dos camarotes chocalhem as jóias.
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| [16:42] 08/05/2008 |
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| Agora e na hora da nossa morte |
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A forma como o ser humano encara a morte varia em função de factores como a religião e a proveniência geográfica.
Todos conhecemos aquele episódio de um ocidental que vai a um cemitério para depositar flores na sepultura de um familiar e manifesta estranheza por ver a seu lado um oriental que se prepara para colocar uma taça de arroz numa campa. Este último, quando confrontado com a situação, responde: "O meu familiar virá comer o arroz quando o seu cheirar as flores.
Independentemente da concepção que cada um de nós tenha sobre o desaparecimento físico de alguém que nos é querido, a morte é algo que, afinal, faz parte intrínseca do próprio ciclo da vida. Como é costume dizer-se, a partir do momento que nascemos já estamos a entrar em contagem decrescente para a morte.
Vem este intróito a propósito do novo equipamento com que Elvas passa a contar a partir de agora, o Complexo Funerário da cidade, com inauguração marcada para a tarde de amanhã, sexta-feira.
Tive ocasião de visitar esta semana aquela infra-estrutura.
Para quem não está habituado a lidar quotidianamente com a morte, a passagem por um espaço com estas características pode, num primeiro contacto, criar algum desconforto. Todavia, aos poucos, a sensação que se instala é de tranquilidade, de paz de espírito. Se é verdade que a ida a um espaço com estas características acontece em momentos de particular tristeza, é possível que esses instantes sejam menos penosos, mais naturais, se assim se pode dizer.
Sem luxo mas com muita sobriedade, o Complexo Funerário de Elvas tem a particularidade de ser o primeiro no género em Portugal. Para além das quatro salas destinadas à realização de velórios em simultâneo, a mais-valia do equipamento é o forno crematório, o quinto no País, depois dos dois existentes em Lisboa, um no Porto e um outro em Ferreira do Alentejo.
Ainda que, sobretudo por razões de índole cultural, a percentagem de cremações que se fazem em Portugal fique muito abaixo das inumações, a verdade é que a tendência aponta para o crescimento exponencial dessa prática nos próximos tempos.
Com o novo Complexo Funerário, a inaugurar amanhã, Elvas fica dotada de uma infra-estrutura pioneira em Portugal e que, tanto quanto é possível saber, servirá de modelo para outros equipamentos similares a instalar futuramente no País. É mais um "cartão de visita da cidade, num sector que vem conhecendo profundas transformações, correspondentes também a mutações nas mentalidades.
Sendo um momento particularmente duro mas inevitável, a morte deve ser por isso encarada de uma forma o mais natural e menos dolorosa possível. Para não dar razão às últimas estrofes da letra do conhecido fado "Partir é morrer um pouco, quando se diz: "Quem parte não sofre mais/Mas quem fica é dor demais/É bem pior que morrer.
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| [18:39] 10/04/2008 |
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| Seres inumanos |
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O terrorismo, sob as mais diversas formas e debaixo das mais distintas capas, continua a ser um dos maiores flagelos da sociedade contemporânea. Se bem que, quando falamos em actos terroristas, nos vêm principalmente à memória os atentados, os sequestros são uma outra face desta realidade que náo podemos perder de vista.
Os raptos de figuras públicas tiveram um dos seus expoentes na Europa, nas décadas de 70 e 80 deste último século XX, perpetrados por bandos armados que ficaram tristemente célebres, como as Brigadas Vermelhas, em Itália, o grupo Baader Meinhoff na Alemanha e o IRA na Irlanda. Aqui mais perto, em Espanha, a ETA também começou a utilizar por então um expediente que teve um dos seus momentos mais negros com o sequestro e execução do jovem autarca Miguel Angel Blanco, concejal no Ayuntamiento basco de Ermua.
Outro rapto que chocou o mundo foi o do antigo primeiro-ministro italiano Aldo Moro, mantido em cativeiro durante meses e depois barbaramente assassinado.
Por estes dias, um outro sequestro preocupa e comove o mundo. O da senadora colombiana Ingrid Betancourt, raptada há largos meses pelas Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) e cujo estado de saúde se vem deteriorando paulatinamente. Ainda ontem vimos nas televisões o apelo pungente do filho de Ingrid para que a sua progenitora seja libertada, uma vez que corre perigo de vida.
Também os presidentes da Venezuela, Hugo Chavéz, e da França, Nicolas Sarkozy, têm vindo a liderar o movimento internacional que pede a urgente libertação da senadora colombiana.
Os franceses enviaram esta semana uma equipa médica para o terreno, com Sarkozy a apelar às FARC para que permitam os cuidados de saúde que Ingrid Betancourt necessita, falando-se inclusivamente de uma transfusão de sangue.
Há poucas semanas, num aparente gesto de boa vontade, as FARC libertaram outros reféns, mas mantiveram teimosamente em cativeiro a sua refém mais conhecida e que, certamente no entender da sua cúpula, lhe poderá servir como moeda de troca em algumas situações por si reivindicadas.
Pela sua forma de actuar, pela recusa em se tornar num movimento democrático, as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas são hoje um exemplo do terrorismo em todo o seu máximo expoente de brutalidade. Lamentavelmente há quem dê guarida a tais facínoras, como é o caso do Partido Comunista Português, que continua a ter na festa do "Avante! um pavilhão representativo daquele bando armado.
Qualquer que seja o desfecho deste longo cativeiro e ainda acreditamos que, apesar de tudo, seja o melhor -, já ninguém retira a Ingrid Betancourt o papel de mártir de uma causa que a todos devia chocar. Os seres humanos porque os outros, os terroristas, esses são seres... inumanos.
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| [12:36] 03/04/2008 |
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| Xutos & Pontapés |
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Foi há sensivelmente uma semana mas ainda hoje guardamos na retina as imagens repetidas até à exaustão nas televisões da brutalidade exercida por uma estudante de 15 anos sobre uma professora de Francês, na Escola Carolina Michaelis, na cidade do Porto.
Nesse filme com cerca de dois minutos de duração há todo um cortejo de situações no mínimo vergonhosas. Desde logo a postura arruaceira da aluna, a começar na agressão verbal para depois passar ao contacto físico. Mas não menos grave é a atitude da turma, a começar no aluno que filma com o seu telemóvel tudo o que se está a passar, enquanto os demais rodeiam a colega e a professora, com a atitude de quem está a assistir a um combate de boxe ou wrestling.
Ainda que uma árvore não faça a floresta, tenho para mim que cenas como esta mesmo que com menor aparato têm vindo a acontecer um pouco por toda a geografia nacional. E nem sequer é preciso haver um telemóvel como ponto de partida...
Atingimos nos nossos dias o grau zero da Educação, o ponto em que os alunos perderam definitivamente o respeito pelos seus docentes e estes, por sua vez, sabem que não dispõem hoje da autoridade que detinham há alguns anos. E, na minha opinião, é da conjugação desses factores necessariamente interligados que resultam situações como a da escola portuense.
Dantes, no chamado tempo "da outra senhora, se uma criança ou jovem chegasse a casa e dissesse aos pais que tinha sido castigado pelo professor, o mais natural era que ouvisse dizer: "As que caem no chão são as que se perdem.
Hoje, pelo contrário, basta um docente ter uma palavra menos cordata para um aluno que, muito provavelmente, cair-lhe-á literalmente em cima toda a família do dito cujo. A mesma família que, no quotidiano do educando, tantas vezes se demite da sua função educacional, não se preocupando em acompanhar minimamente o seu percurso escolar.
Tiraria o meu chapéu, se o tivesse, a quem é professor nos nossos dias. Por estranho que possa parecer, ser docente é cada vez mais uma profissão de risco.
Por isso, com alguma ironia à mistura se é que tal me é permitido numa circunstância destas... - deixo a sugestão à ministra Maria de Lurdes Rodrigues para que inclua nas medidas do seu gabinete a disponibilização de um kit de segurança para os professores. E, já agora, um guarda-costas para cada docente...
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| [17:03] 27/03/2008 |
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| Ficar mal na fotografia |
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Faz hoje precisamente cinco anos, em 20 de Março de 2003, a aviação americana iniciava os bombardeamentos à capital do Iraque, Bagdad, dando início a um conflito bélico que se estende até aos nossos dias. Hoje, 60 meses e muitos milhares de mortos depois, a guerra no Iraque parece estar para durar, e, o que é mais grave, adivinha-se que a eventual saída dos militares norte-americanos poderá conduzir a uma tragédia ainda maior do que aquela que ali se vive.
O pressuposto da invasão do Iraque assentava na convicção de que o regime de Saddam Hussein tinha em seu poder armas de destruição em massa, sobretudo químicas e biológicas. Neste engodo, estendido pela administração Bush, caíram os chefes dos governos de Inglaterra e Espanha, Tony Blair e José Maria Aznar, secundados pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, ao vestir a pele de anfitrião da cimeira das Lajes, que deu luz verde à entrada das tropas americanas em Bagdad.
Como tantos outros, fui daqueles que acreditou nas boas intenções de George W. Bush ao intervir no Iraque. Hoje, por muitas razões, percebemos que as coisas não eram bem como nos foram vendidas. Ainda ontem, nas televisões, vimos as imagens de Blair, Aznar e Barroso quando admitiram que, afinal, o Iraque não dispunha de armas de destruição maciça. Agora, uma coisa é o cidadão comum reconhecer que estava errado nas suas convicções, e outra, bem diferente, é os dirigentes mundiais assobiarem para o ar, como se nada tivessem a ver com a questão. Em relação a estes últimos, a História se encarregará de fazer o seu julgamento.
O papel dos Estados Unidos como "polícias do mundo tem dado resultados muito díspares ao longo dos tempos.
Por estes dias está em exibição no Cine-Teatro de Elvas o filme "Jogos de Poder, que narra a história verídica de Charlie Wilson, o congressista que, nos anos 80 deste último século, foi o principal responsável pelo apoio norte-americano aos guerreiros talibãs que, na altura, combatiam a invasão soviética do Afeganistão. Ora, como "isto está tudo ligado e, como diz o povo, "o feitiço vira-se sempre contra o feiticeiro, são as armas dos talibãs, compradas com dólares, que nestes últimos anos têm vindo a ser usadas contra interesses americanos em vários pontos do mundo.
Cinco anos depois da entrada triunfal das forças ocidentais em Bagdad e da relativamente fácil deposição do regime de Saddam Hussein, os Estados Unidos estão num beco sem saída.
O Iraque é hoje o país do mundo onde a vida tem menos valor, onde a morte está ao virar da esquina e aumenta de dia para dia o cortejo de jovens mutilados. Se a isto juntarmos as violações dos direitos humanos nas tristemente célebres prisões de Abu Ghraib e Guantánamo, é caso para dizer que virou pesadelo a imagem sorridente de Bush, Blair, Aznar e Barroso na cimeira de há cinco anos nas Lajes.
É caso para dizer que ninguém ficou bem nesta fotografia...
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| [12:19] 20/03/2008 |
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| O menor dos males |
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Sem surpresa de maior, o PSOE de Jose Luiz Zapatero venceu no passado domingo as eleições gerais de Espanha, renovando por mais quatro anos o seu mandato de governo. Embora sem maioria absoluta, os socialistas conquistaram 169 lugares no Parlamento, contra 153 do Partido Popular de Mariano Rajoy que, ainda assim, alcançou um score eleitoral muito significativo.
Confimado ficou igualmente o cenário de total bipolarização no espectro partidário espanhol, com PSOE e PP a repartirem entre si mais de 90 por cento dos lugares no Parlamento e Senado, deixando as "migalhas para as restantes forças políticas sobretudo partidos de incidência regional. Sem dramas, acrescento eu, porque não ouvi na noite eleitoral de Madrid o primeiro-ministro reeleito carpir mágoas por não ter maioria absoluta para governar ou o líder da oposição puxar dos galões para inviabilizar um governo de maioria relativa.
Como são diferentes as coisas por cá. Estamos a mais de um ano das próximas legislativas e já há quem trace cenários para a eventualidade do PS vencer sem maioria as eleições de 2009. Como aconteceu há dias, quando Paulo Portas veio a público tecer fortes críticas a José Sócrates e ao seu executivo, o que levou alguns analistas da nossa praça a afirmar que o líder do CDS-PP estava a deitar por terra a possibilidade de qualquer acordo pós-eleitoral.
Na minha opinião, muito mais importante que fazer futurologia é viver o presente. E o presente diz-nos que o governo socialista está a passar por um momento particularmente difícil de que a manifestação de professores é o sinal mais evidente mas não único -, e que, ao mesmo tempo, a oposição não está melhor.
Basta ver a confusão que vai no PSD, em torno da liderança de Luís Filipe Menezes, com este a afirmar claramente que o partido não está preparado nesta altura para ser governo.
O País está assim num impasse, numa espécie de limbo, em que os cidadãos demonstram perda de confiança em que governa mas reconhecem que quem é oposição não dá garantias de fazer melhor.
Com tudo isto, a política em Portugal está como o futebol. Há um clube dominante, que até nem precisa jogar muito bem para somar títulos, enquanto os outros vão arrastando as suas crises e contentando-se em ser segundos porque, de forma muito realista, sabem que não têm condições de chegar à vitória. E isto é mau, muito mau mesmo, para os vencidos mas também para os vencedores.
Mal de nós quando acabamos por ter de optar pelo menor dos males. Saímos todos a perder.
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| [12:42] 13/03/2008 |
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| O peixe e a cana |
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Numa altura em que o sector da Educação volta a conhecer um clima de grande efervescência por via da contestação movida pelos professores ao seu novo Estatuto e às medidas de avaliação -. o meu apontamento desta semana tem precisamente a ver com o Ensino, ainda que numa vertente distinta e pela positiva.
Começo por referir, em primeiro lugar, a Semana da Leitura, a decorrer por estes dias em todo o País, e à qual aderiram, em Elvas, a Câmara Municipal e os diversos estabelecimentos de ensino da rede pública.
Jamais poderemos perder de vista que Portugal estava há bem poucos anos na cauda da tabela no que concerne a hábitos de leitura dos seus cidadãos. O que se explica pela conjugação de dois factores: por um lado o alto índice de analfabetismo e, por outro, o baixo rendimento das famílias portuguesas, a fazer com que comprar um livro fosse um desperdício ou um luxo, consoante os casos.
Hoje, felizmente, o cenário é bem distinto. Ainda que os números relativos ao consumo de bens culturais estejam abaixo da média da União Europeia, Portugal tem vindo a dimimuir essa diferença. Ainda há bem poucos dias, aquando da comemoração do 10.º aniversário de presença no nosso País de uma multinacional que comercializa artigos culturais, ficamos a saber que Portugal é o país com maior quantidade de vendas, entre elas de livros.
Existe hoje em Portugal um Plano Nacional de Leitura, na dependência directa do Ministério da Educação, que procura estimular o gosto pelo livro logo a partir da idade pré-escolar.
Ainda ontem aqui na Rádio Elvas, no programa "Ponto de Vista, ouvimos falar sobre este Plano, a propósito da Semana Nacional da Leitura..
Fazendo jus ao ditado segundo o qual "é de pequenino que se torce o pepino, o Plano Nacional de Leitura procura cativar as crianças para o universo dos livros, fazendo com que estes entrem no quotidiano dos mais novos e que a leitura seja uma fonte de prazer e não algo que se faz por mera obrigação.
Numa latitude distinta do Plano de Leitura temos o Programa Integrado de Educação e Formação, o PIEF, de que falámos nos mais recentes espaços informativos da Rádio Elvas.
Trata-se, neste caso, de uma iniciativa tutelada pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, visando o cumprimento da escolaridade obrigatória por parte de jovens entre os 15 e os 17 anos que, pelos mais diversos motivos, interromperam em tempos o seu percurso escolar.
O PIEF acolhe sobretudo jovens oriundos de famílias destruturadas, para quem o regresso à escola pode e deve constituir uma segunda e decisiva oportunidade de dar um rumo distinto às suas vidas.
Por isso espero e desejo - que iniciativas como este Programa Integrado de Educação e Formação seja um êxito e que não se limite a servir para apresentar números e percentagens de sucesso escolar que só servem para maquilhar estatísticas do desempenho de um país.
Como diz a parábola, a quem necessita não dês o peixe, dá a cana para pescar...
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| [18:05] 06/03/2008 |
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| Debates sim, mas pouco |
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Pela primeira vez em 15 anos, os líderes dos dois principais partidos políticos espanhóis enfrentaram-se em debate televisivo. Foi na noite da passada segunda-feira com um segundo debate marcado para a próxima segunda-feira, 3 de Março -, agora que o país vizinho se prepara para escolher o Governo para uma nova legislatura. Frente-a-frente estiveram os líderes do PSOE e actual primeiro-ministro, José Luis Zapatero, e do PP, Mariano Rajoy.
O debate foi transmitido por dezenas de cadeias televisivas, estações de rádio e até em sites da Internet, estimando-se que cerca de sete em cada dez espanhóis tenham assistido se não totalmente pelo menos em parte ao frente-a-frente de segunda-feira.
É precisamente esta pugna televisiva no país vizinho que me merece algumas consideraçções neste meu apontamento semanal.
Em primeiro lugar, deixando para trás o "politicamente correcto, os promotores do debate convidaram apenas os líderes do PSOE e do PP, assumindo que só Zapatero e Rajoy aspiram verdadeiramente à chefia do Governo.
Por cá, se as televisões tivessem a ousadia de apenas convocar José Sócrates e Luís Filipe Menezes para debates, caía o Carmo e a Trindade. Veja-se, aliás, o exemplo das últimas legislativas, em que assistimos a uma catadupa de frente-a-frentes, alguns dos quais de reduzido ou nulo interesse para o cidadão comum.
Já quanto à forma, o debate entre os dois candidatos á presidência do Governo espanhol merece-me alguns reparos.
Vivendo hoje o primado da imagem e os políticos sabem-no bem -, são estes quem define as regras do jogo sempre que aceitam expor-se em situações como os debates ou até as entrevistas individuais.
O facto de serem os entrevistados a escolher as regras do jogo, faz com que estas fiquem no mínimo subvertidas.
Os políticos elegem os temas e só aceitam debater com os seus oponentes se os tempos de intervenção forem controlados ao segundo, como se de um verdadeiro tempo de antena se tratasse, não havendo praticamente lugar a interrupções mútuas.
E que papel joga o entrevistador em todo este processo? Quase o de mera figura de corpo presente, uma vez que apenas lhe cabe a função de lançar os temas previamente escolhidos e alertar os intervenientes para o tempo de que dispõem. Ou seja, a figura do jornalista dilui-se por completo para dar lugar ao árbitro, que quanto menos aparecer em jogo, melhor.
Estamos pois na era dos debates plastificados, que são mais monólogos do que outra coisa, porque o diálogo está pura e simplesmente impedido.
Ai que saudades dos velhinhos debates que proporcionavam pérolas como o "Olhe que não, olhe que não... de Álvaro Cunha para Mário Soares.
Hoje, muito mais que duelos leais, os debates entre políticos são conversas de salão de chá. E que, normalmente, não acrescentam nada de novo àquilo que antes já se sabia...
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| [16:56] 28/02/2008 |
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| God bless America |
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Por razões de ordem política, geo-estratégica, social e cultural, os Estados Unidos da América têm a capacidade de prender a atenção do mundo inteiro. E, em ano de eleições presidenciais, a mais actual dessas atenções prende-se, naturalmente, com o processo que conduzirá, lá mais pata o final do ano, a substituição de George W. Bush.
Trata-se de um processo longo mas que, em minha opinião, é das formas mais representativas de democracia participativa que podemos encontrar. Para já, na fase em que estamos, decorrem as chamadas "primárias em cada um dos Estados, durante as quais os cidadãos norte-americanos são chamados a escolher, de um lote alargado de candidatos, aqueles que, em definitivo, vão encabeçar as candidaturas democrata e republicana à Casa Branca.
Há cinco anos, o duelo entre George Bush e Al Gore só se resolveu após uma recontagem de votos na Califórnia e desta vez ainda nem chegámos a fase decisiva e já nos prende a disputa taco-a-taco, do lado democrata, entre Barack Obama e Hillary Clinton. E o que é curioso é que, sem sermos vistos nem achados nesta matéria, damos por nós a "torcer por um ou outro candidatos.
Eu, pela minha parte, confesso que se fosse cidadão norte-americano, a minha preferência até prova em contrário iria para Barack Obama.
No seu estilo oratório calmo mas incisivo, o ainda relativamente jovem senador pelo estado do Illinois tem vindo a revelar-se uma figura digna de atenção e crédito. Ainda que, para mim, seja extemporâneo e porventura negativo colar-lhe o rótulo de um novo John Fitzgerald Kennedy, o malogrado JFK.
Confesso que este crescente interesse pelas primárias americanas e, sobretudo, pelo duelo Hillary-Obama me tem feito nas últimas semanas levantar-me algumas vezes a meio da madrugada, para espreitar a evolução do escrutínio nos diferentes estados, através das emissões da CNN ou da Sky News.
Pois é. Depois dos Oscares de Hollywood e da Super Bowl, nós, os europeus, lá temos mais uma razão para nos "queixarmos da noitadas que os americanos nos obrigam a fazer...
Mas, se for sempre por motivos como estes, então "que Deus abençoe a América - "God bless America, como por lá, orgulhosamente, se diz.
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| [12:52] 21/02/2008 |
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| Deitar cedo e cedo erguer... |
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Há quase dois anos ininterruptos que mantemos nesta antena o espaço "Rádio Elvas na Rua. De segunda a sexta-feira por volta das oito e meia da manhã, a meio não só dessa hora como também da edição diária do espaço "Telefonia da Manhã, a nossa principal aposta vai no sentido de divulgar, em horário dito nobre, os eventos e figuras que se destacam nas mais diversas áreas da vida quotidiana.
Hoje podemos afirmar sem falsas modéstias que, ao longo de centenas de manhãs, o "RE na Rua tem contribuído decisivamente tal como outros espaços informativos da Rádio Elvas para projectar iniciativas da mais diversa índole.
Porque pretendemos que a rubrica seja o mais actual e dinâmica possível, a filosofia da mesma aposta no directo, normalmente a partir dos locais onde o evento irá acontecer algumas horas ou dias depois. Daí pedirmos aos nossos entrevistados que compareçam num local previamente determinado.
Como o início do espaço "Rádio Elvas na Rua acontece às oito e meia, costumamos combinar com os convidados uns minutos antes de a reportagem ir para o ar.
Ora, o que se vem verificando cada vez mais amiúde é que há um número significativo de pessoas que, quando confrontadas com o horário da entrevista, respondem invariavelmente: "Mas isso é muito cedo! Não se pode marcar para mais tarde?.
Acreditem que, com o à vontade de quem começa o dia sempre antes das seis horas, custa-me imenso ouvir alguém dizer que as oito e meia da manhã são uma madrugada.
É verdade que o facto de residirmos numa cidade relativamente pequena nos dá a possibilidade e o privilégio de estarmos normalmente a poucos minutos de distância do local de trabalho. Mas, partindo do pressuposto que, por norma, se começa a trabalhar às nove horas, não me passa pela cabeça que meia hora antes ainda alguém possa estar no "vale dos lençóis ou, quanto muito, a começar a fazer a sua higiene diária.
Diz o velho ditado popular que "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. Eu que, pela minha parte, só costumo cumprir a premissa do "cedo erguer, defendo que é bom começar a nossa jornada bem cedo, seja ela para trabalhar ou para viver momentos de puro lazer.
Afinal, como diz outra expressão tradicional, é ou não verdade que é de manhã que se começa o dia?
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| [11:11] 14/02/2008 |
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